Mil-folhas de quase mil sabores (ok, exagerei)

Desde os tempos da falecida Brunella (quem é de São Paulo e tem mais de 30 vai entender), que meu doce favorito é o mil-folhas. Massa folhada fresquinha, leve e crocante, entremeada por creme de confeiteiro. Simples e deliciosa.

Mas ficamos órfãos por tanto tempo de bons millefeuilles na cidade – só sobraram os massudos, das padarias –, que acabei esquecendo dele. Até que uma amiga me lembrou da Confeitaria Dama. Carro-chefe, mil-folhas. Levinho, crocante, com a dose certa de recheio cremoso, como deve ser. Pronto, viciei de novo.

Mil-folhas de limão siciliano, uma das minhas preferidas do festival da Confeitaria Dama. Foto: divulgação

Mil-folhas de limão siciliano, uma das minhas versões preferidas no festival da Confeitaria Dama. Foto: divulgação

Pois, como se não bastasse, eles resolveram dar uma variadinha. Até o dia 9 de setembro a casa promove um festival com sete versões: limão siciliano, paçoca, chocolate, doce de leite, café com caramelo, nozes e romeu e julieta. Difícil dizer qual o melhor.

A versão nozes: lembra camafeu. Difícil, viu. Foto: divulgação

A versão nozes lembra camafeu. Difícil, viu. Foto: divulgação

Cada doce será vendido por R$ 12 nas duas unidades da rede (Pinheiros e Higienópolis), mas apenas de quinta a domingo (não vá no dia errado). Nos outros dias você vai encontrar apenas a clássica de baunilha. Que também tá super valendo, mas não tem a graça do diferente. Se joga.

A de paçoca, para combinar com o clima de festa junina (julhina) Foto: divulgação

A de paçoca, para combinar com o clima de festa junina (julhina) Foto: divulgação

 

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10 formas de comemorar o aniversário o mês inteiro

A despeito dos cabelos brancos que se acumulam a cada ano que passa, eu adoro fazer aniversário. Podem falar o que quiser. É preciso estar muuuuuito deprê para não comemorar. E isso não significa apenas fazer festa, juntar a galera. Celebrar essa data é mais do que isso. É brindar a vida, as conquistas, os amigos, a família. É repensar os passos, fazer novos planos, relembrar promessas e fazer outras tantas. É nosso ano novo particular. Que de tão importante merece mais do que 24 horas. Sim, porque, para mim, aniversário dura um mês inteiro, pontuado de pequenas grandes comemorações.

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Aniversário é para ser mais do que comemorado, a despeito de dores, rugas e cabelos brancos. Foto: Juliana Bianchi

Para quem quer entrar na onda, aí vão algumas ideias que já coloquei em prática para fazer desse um período mais do que especial.

1- Reserve uma tarde para uma sessão dupla de massagem, com direito a esticadinha na sua padaria favorita, no meu caso, a Julice Boulangerie, para uma xícara de chá com docinhos.

2- Se a sua empresa não é tão legal a ponto de te dar o dia do aniversário de folga, organize-se para tirá-lo de qualquer jeito. Você não tem ideia de como é bom poder ficar em casa, fazendo o que você bem entender, nesse dia tão especial. Melhor ainda se for meio de semana; a gente se sente matando aula e volta no tempo. ;-) picnic1

3- Prepare um piquenique com os amigos em um parque bem bacana. Capriche na toalha xadrez, nos comes e bebes estilo retrô e nos balões. Por que, não? É bom voltar a ser criança.

4- Agende um jantar íntimo em um restaurante que esteja a fim de conhecer há muito tempo. E jogue-se no menu degustação.

Açorda de bacalhau do  restaurante Cantaloup, no Itaim. Foto: Juliana Bianchi

Açorda de bacalhau, prato de um dos menus especiais do restaurante Cantaloup, no Itaim. Foto: Juliana Bianchi

5- Está podendo gastar um pouquinho mais? Organize uma viagem fora de época para algum lugar que você adore voltar ou esteja doida para conhecer.

6- O orçamento não está tão grande assim? “Viaje” dentro da sua própria cidade. Hospede-se num hotel bacana e aproveite todas as mordomias. Alguns, como o Hilton São Paulo Morumbi têm pacotes especiais para a data, com direito a bolo, champanhe, balões e jantar a luz de velas.

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Pacote de aniversário do Hilton São Paulo Morumbi: bolo, balão, flores, jantar e champanhe durante a hospedagem. Foto: Juliana Bianchi

7- Fique de olho na agenda de shows do seu cantor ou banda preferido. Se eles estiverem por perto, aproveite para comemorar embalada por sua trilha sonora favorita.

8- Fuja para um retiro junto à natureza. Pode ser um fim de semana no spa, algumas horas de meditação num templo budista ou uma longa caminhada na serra com direito a banho de cachoeira.

9- Faça alguma coisa que você nunca fez, mas sempre teve vontade: salte de paraquedas, voe de balão, corra de kart, faça uma aula de violino, visite um orfanato. Escolha algo que vá marcar a data para sempre.

Passeio de balão pelo vale dos vinhedos próximos à Viña Vik.Foto: Divulgação

Invista em uma experiência inédita na sua vida. Foto: Divulgação Viña Vik

10- Organize uma sequência de pequenas reuniões festivas. Assim você consegue celebrar com os diferentes grupos de amigos e familiares aproveitando ao máximo a presença de cada um.

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Abobrinha em dois tempos

Esse fim de semana acordei com uma missão, precisava liquidar com as abobrinhas que há quase 15 dias resistiam bravamente na geladeira. Durante a semana, algumas delas já haviam sido usadas em uma sopa e eu não estava a fim de repetir o refogado clássico que sempre me salva. Tinha certeza de que estava subaproveitando o potencial disponível.

Duas simples abobrinhas motivaram um sábado cheio de sabores. Flickr Katherine Martinelli

Duas abobrinhas motivaram um sábado cheio de sabores. Foto: Flickr CC/ Katherine Martinelli

Ainda na cama comecei a pesquisar na internet. Achei receita de quiche de abobrinha, abobrinha gratinada e até espaguete de abobrinha, mas ainda não era isso. Queria algo diferente. Até que no blog da Ale Blanco, o Comidinhas , achei uma receita de pão, com uma foto tão linda, que comecei a salivar na hora. Era isso. O preparo original, diz ela, foi tirado do livro “Cozinhando para Amigos”, da Heloisa Bacellar.  Mas como eu não tenho (falha grave), segui por lá mesmo.

Acontece, que a lista de boas opções não parava por aí (como eu amo o Google!). E incluía um bolo de chocolate e abobrinha, sugerido pelas meninas do Noz-Moscada para os dias de outono. Outono, inverno, acho que tá valendo. Confesso que a princípio a combinação soou meio estranha (a receita original é do livro “The Kinfolk Table”), mas, de novo, as fotos estavam tão incríveis (ok, as fotos delas são sempre incríveis), que precisava tentar.

Resultado, não consegui me decidir por uma só receita e resolvi fazer as duas. Comecei relando as duas abobrinhas que tinha pra ver quanto iam render e… descobri que ia faltar exatamente uma xícara. Como não queria abortar o plano inicial, e a Ale já tinha dado a dica de que é possível substituir a abobrinha por cenoura ou beterraba, resolvi fazer um mix. Ralei uma xícara de cenoura e, uma hora e meia depois, voilà, pão de abobrinha com cenoura saindo quentinho do meu forno.

Olha que cara boa fica o pão de abobrinha com cenoura; coloridinho e macio

Olha que cara boa fica o pão de abobrinha com cenoura: colorido e macio

Segui as duas receitas à risca – tirando o molho rápido em que deixei as tirinhas. Trauma de já ter perdido muita abobrinha refogada por excesso de amargor. Então, seguro morreu de velho. Mas espremi bem antes de usar. No bolo, também não queria os pedacinhos brigando com as gotas de chocolate, então mantive a forma ralada ao invés dos cubinhos indicados. Mas foi só.

O resultado foram dois quitutes macios, molhadinhos e muito saborosos, que fizeram o meu dia (e de quem mais me encontrou no sábado). Se mudaria alguma coisa? Talvez reduzisse um pouco a quantidade de óleo de ambos, mas pode ser que perca em umidade. Vou tentar numa próxima e aviso. Por hora, ficam as receitas do jeito que usei para quem quiser experimentar. Depois me contem.

Olha como fica por dentro. Dá para resistir?

Por dentro a gente nota melhor a presença da abobrinha e da cenoura. Dá para resistir?

PÃO DE ABOBRINHA E CENOURA
Ingredientes:
2 xícaras de abobrinha ralada
1 xícara de cenoura ralada
3 xícaras de farinha de trigo
4 colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de sal
1 pitada de pimenta-do-reino
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 xícara de óleo
1 e 1/2 xícara de queijo parmesão ralado
4 ovos
Manteiga e farinha de trigo para untar

Modo de preparo:
Unte com manteiga e farinha uma forma média de bolo inglês (eu usei a de silicone). Pré-aqueça o forno a 180ºC enquanto prepara a massa.
Junte primeiro os secos – farinha, fermento, sal, pimenta e bicarbonato. Reserve.
Na batedeira, misture o óleo, o parmesão e os ovos até que fique um creme esbranquiçado. Junte a abobrinha e a cenoura. Com uma espátula, misture bem e, aos poucos, vá acrescentando os secos. Usar as mãos pode ser bem útil nessa etapa.
Coloque a massa na forma e asse até que o pão cresça e fique dourado. (A receita original fala em cerca de 40 minutos, mas em casa levou pouco mais de uma hora) Para saber se está bom, faça o teste do palito de dente (enfie bem no meio, até o fundo da massa, e veja se ele sai limpinho).
Espere esfriar um pouco (eu sei que pão quente é bom, mas calma), desenforme e corte em fatias para comer.

Agora, a receita matadora.  Fiquei pensando depois, que um coulis de frutas vermelhas cairira bem para acompahar. Mas não deu tempo. Acabou antes

Agora, o bolo de chocolate matador. Fiquei pensando depois que um coulis de frutas vermelhas cairira bem para acompahar. Mas não deu tempo. Acabou antes.

BOLO DE CHOCOLATE E ABOBRINHA
Ingredientes:
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
1/4 xícara de cacau em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de canela em pó
1/2 colher de chá de cravo em pó (se não tiver, você pode socar bem os cravos num pilão e coar)
1/2 xícara (115 g) de manteiga em temperatura ambiente
1/2 xícara de óleo vegetal (usei o de milho)
1 3/4 xícara de açúcar
2 ovos em temperatura ambiente
1/2 xícara de buttermilk (você pode fazer em casa, misturando meia xícara de leite integral e o suco de um limão)
1 colher de chá de extrato de baunilha
2 xícaras de abobrinha picada em pequenos cubos (ou ralada)
1/2 xícara de chocolate meio amargo picadinhos
Manteiga e farinha para untar a forma

Modo de preparo:
Unte com manteiga e farinha uma forma de 33 x 23 cm. Pré-aqueça o forno a 170ºC enquanto prepara a massa.
Em um bowl, misture os secos – farinha, cacau, bicarbonato de sódio, fermento, canela e cravo em pó. Reserve.
Prepare o buttermilk e junte a baunilha. Reserve.
Na batedeira, bata a manteiga, o óleo e o açúcar na velocidade média, por 3 minutos. Junte os ovos e bata bem. Adicione o buttermilk aromatizado e, aos poucos, acrescente os secos até ficar uma massa homogênea.
Com a ajuda de uma espátula, misture a abobrinha e os chips de chocolate (reserve alguns). Transfira a massa para a forma untada e finalize com o restante do chocolate.
Asse por 35 a 40 minutos, até que, ao colocar um palito de madeira no meio, ele saia limpo. Deixe esfriar antes de desenformar e morrer de amores. Fica perfeito para acompanhar o café.

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Sorvetes no clima de festa junina

The winter is comming. E sobreviver à ideia maluca do brasileiro de que sorvete não combina com clima frio é o maior desafio das casas especializadas no assunto até as altas temperaturas voltarem. No Itaim, a Davvero já deu início à batalha com novidades embaladas pelas fogueiras de São João.

Sorvete de pinhão, Davvero, combinação deliciosamente improvável. Foto: Henrique Peron

Sorvete de pinhão, Davvero, combinação deliciosamente improvável. Foto: Henrique Peron

As sócias Suelen Ferrari e Débora Tesoto focaram nas comidas típicas das festas juninas para desenvolver sorvetes temáticos. Assim, surgem os sabores de pinhão, vinho quente e quentão (pode parecer uma contradição, mas garanto, são bons demais), doce de leite com pé-de-moleque, milho verde, pipoca, paçoca com torrone e doce de abóbora com coco, entre outros que se revezarão nas vitrines.

Sorvete de vinho quente: uma das brincadeiras da Davvero Gelato para as festas juninas que deram certo. Foto: Henrique Peron

Sorvete de vinho quente: uma das brincadeiras da Davvero Gelato para as festas juninas que deram certo. Foto: Henrique Peron

Se já estiver pronto para se despir de preconceitos com o gelado no frio, vá mesmo para provar alguns sabores clássicos, impecáveis, como o pistache, o de manga (parece que você está comendo a própria fruta), o café (na versão branca, surpreende), e o chocolate a base de água, bem amargo.

Sorvete de doce de abóbora com coco, da Davvero. Foto: Henrique Peron

Sorvete de doce de abóbora com coco, da Davvero. Foto: Henrique Peron

A casquinha ou copinho médio, com até três sabores sai R$ 12.

Serviço:
Davvero Gelato
R. Pais de Araújo, 129 – Itaim Bibi – São Paulo
Tel: (11) 3881-6552

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Por dentro de um restaurante

O que acontece antes do prato chegar à mesa? Quem são as pessoas que, longe dos holofotes do Masterchef, dão duro para colocar uma variedade imensa de alimentos impecáveis, todos os dias, nos restaurantes da cidade? Quão exaustivo é o trabalho? Peguei uma semana de folga na redação para descobrir as respostas para essas e outras perguntas que vinham rondando a cabeça nesse momento de repensar a vida. Meu momento Bill Buford (jornalista americano que transformou sua experiência na cozinha do chef Mario Batali no livro “Calor” – leitura mais que recomendada), só que não.

Beth Cozinha de Estar, no Itaim, meu spa de aniversário

Beth Cozinha de Estar, no Itaim, meu ‘spa’ de aniversário

Achei espaço no Beth Cozinha de Estar, um restaurante com serviço de bufê, mas cara de à la carte, no coração do Itaim. Cheguei na casa comandada pela chef Beth Branco (cuja história vale um post à parte) quatro horas antes da abertura para o almoço da segunda-feira e o ritmo da cozinha já era acelerado. Diariamente, é preciso garantir a produção de quase 30 opções de saladas, entradinhas, molhos, massas, carnes e acompanhamentos fresquinhos, a partir do zero. Esqueça as facilidades do congelamento.

A cozinha em um balé natural antes do almoço começar

A cozinha em um balé natural antes do almoço começar

A equipe toda não conta mais do que 25 pessoas (incluindo o salão), mas já está azeitada o suficiente para que em momento algum se veja alguém parado ou esperando ordens (exceto eu. Desculpa aí, Eudes). Mas Beth conta que foram precisos 10 anos para chegar nesse ponto e que, apesar da quantidade de profissionais que as escolas de gastronomia colocam no mercado anualmente, ainda é difícil quem queira enfrentar o tranco e não apenas ficar pagando de chefe executivo. Entendo super.

Não foi fácil passar de 8 horas sentada na frente do computador para 8 horas em pé, limpando camarão, fechando pastel, acabando com o pulso na hora de levantar panelas, descascando berinjela, servindo o público com um sorriso sempre prestativo ou cortando nhoque. Nesses cinco dias, as dores me fizeram descobrir músculos que nem sabia existirem.

No bufê, quase 30 preparações diferentes, feitas do zero, todo os dias

No bufê, quase 30 preparações diferentes, feitas do zero, todo os dias

Mas a alegria de poder fazer parte (ainda que insignificante) do funcionamento daquela máquina de prazeres gustativos não tinha fim. O brilho no olhar com que chegava em casa todos os dias ia muito além daquele que refletiu a emoção de acompanhar um dia de trabalho do chef Salvatore Loi, ainda nos tempos de Fasano, para uma matéria na extinta revista Estampa. Agora, eu estava colocando as mãos na massa. E adorando!!!

Se cozinhar, para mim, sempre foi sinônimo de amor, essa experiência só ampliou o conceito. Generosidade, carinho, atenção, meticulosidade, parceria, responsabilidade e bom humor. Tudo cabe nesse ato que alimenta a alma muito mais do que o físico.

O suf-chef, Eudes, em ação. Obrigada, obrigada e obrigada

O sub-chef, Eudes, em ação. Obrigada, obrigada e obrigada

Meu agradecimento eterno à Beth Branco por abrir as portas de sua casa de forma tão generosa. Ao Eudes, Nádia, Marília, Francisco, Gil, Naldo, Galego, Jack e toda a turma pela paciência, compreensão e carinho. Sério, nunca vou esquecer de vocês, o melhor presente que podia ter ganhado neste ano. Beijos enormes. Sigo em frente. Nos encontramos em breve.

* Termino com a imagem mágica do Naldo abrindo massa para mais de 500 tortelinis. Poderia ficar horas admirando essa ‘colcha’ ser dobrada, esticada e reesticada.

 

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