Cabo Polonio, o paraíso escondido do Uruguai

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A dica veio de uma amiga que sabe das coisas – não é à toa que trabalha com tendências. “Eu acho que vale a pena você conhecer Cabo Polonio, passar um dia lá, nem precisa dormir”, disse assim que contei que ia ao Uruguai. Cabo o quê? Nunca tinha ouvido falar, mas uma pesquisa rápida me fez querer conhecer no dia seguinte.

O farol de Cabo Polonio: espetáculo da natureza
O farol de Cabo Polonio: espetáculo da natureza

Escondido numa área protegida, o local não tem água corrente, telefone, internet ou luz elétrica (algumas poucas casas até contam com captação solar ou eólica, mas esqueça TV, banho quente ou secador de cabelo). Ainda assim, é impossível não se apaixonar. As ruas são de areia e a maior parte das casas (contei umas 100, espalhadas pela ponta do cabo) pintadas de branco, com detalhes em cores vibrantes. Uma vegetação rasteira separa um quintal do outro e, quando menos se espera, é possível escorregar na lama.

A vila, ao longe. Casas completamente pintadas de branco contrastam com o colorido de outras. Mas nada de vizinhos muito próximos
A vila, ao longe. Casas completamente pintadas de branco contrastam com o colorido de outras. Mas nada de vizinhos muito próximos

Para chegar é preciso deixar o carro na entrada do Parque Nacional (170 pesos pelo estacionamento + 170 o tíquete, por pessoa) e pegar um caminhão 4×4, tipo pau de arara, para atravessar as dunas que separam a vila do resto do mundo. Quilômetros de praia totalmente deserta dão as boas-vindas. Um veleiro atolado na areia deixa claro quem manda por ali.

Na praia deserta, um barco encalhado na areia deixa claro que ali, quem manda é a natureza
Na praia deserta, um barco encalhado deixa claro que ali, quem manda é a natureza

Próximo ao farol, a praia coberta por conchas e rochas – que recebem constantes bordoadas do mar gelado – desencoraja os visitantes mais atrevidos de se aproximarem dos verdadeiros habitantes do pedaço, os leões marinhos. A colônia natural ocupa duas ilhas próximas ao cabo e mais uma área reservada abaixo do farol. Acredite, mesmo no verão eles não são poucos (até porque a água continua ultragelada) e dá pra ficar horas ali sentada observando e pensando na vida.

Nas pedras, os leões marinhos se esparramam numa preguiça contagiante
Nas pedras, os leões marinhos se esparramam numa preguiça contagiante

Aliás, essas duas atividades são as mais importantes em Polonio. Tanto que os poucos bares à beira-mar são generosamente equipados com redes ou almofadões pra você se jogar depois de uma (ou várias) Patrícias, a cerveja mais pedida por lá. Os preços não são muito camaradas, mas pense bem, você está num pedaço de mundo onde tudo precisa ser “importado”, então, conforme-se e aproveite.

Esparramados nos almofadões ou na rede é possível provar bolinhos de alga (vale pela curiosidade) e relaxar tomando Patrícias na sombra
Esparramados nos almofadões ou na rede (no melhor estilo leão marinho) é possível provar bolinhos de alga (vale pela curiosidade) e relaxar tomando Patrícias

Quem quiser ficar por lá irá encontrar algumas pousadas bem charmosas, mas não espere luxo. A não o de dormir olhando para um céu com mais estrelas do que se poderia imaginar que existisse. Acho que já é mais do que suficiente, não?

Veja outros cinco motivos para ir ao Uruguai.

O caminhão-ônibus, que faz o trajeto entre a entrada do parque e a vila
O caminhão-ônibus, que faz o trajeto entre a entrada do parque e a vila

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