Paris: como curtir a cidade ao máximo em apenas um dia

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Diz o ditado que todos os caminhos levam a Roma. Mas para mim, todos os caminhos levam a Paris. Qualquer viagem à Europa é desculpa para fazer uma pausa na capital francesa e aproveitar nem que sejam algumas horas por lá. Foi numa dessas que aterrissei na cidade recentemente para passar apenas dois dias.

E, olha, garanto, com um roteirinho básico na cabeça (e o Google Maps nas mãos) dá para fazer muita coisa em apenas 24 horas. De rever antigas paixões a descobrir novas. Mas não se pode perder tempo. Isso significa começar a caminhar desde cedo.

Boulangerie Du Pain et des Idées, pertinho do canal Saint-Martin
Boulangerie Du Pain et des Idées, pertinho do canal Saint-Martin. Foto Ju Bianchi

Desta vez resolvi tomar o café da manhã na padaria Du Pain et des Idées, pertinho do canal Saint Martin, eleita várias vezes a melhor boulangerie de Paris. A fila na porta já dá ideia da fama, mas o atendimento rápido e o cheiro de pão fresquinho não deixam arredar o pé. Na mesa de piquenique do lado de fora provei os scargots (calma, não eram caracóis de verdade, mas massa folhada enrolada) de pistache e chocolate amargo, os fouilletes de creme com um toque de limão siciliano e o croissant. Tudo muito, mas muito leve, e deliciosamente saboroso.

Fouilettes de creme
Fouilletes de creme com toque de limão

As próximas paradas eram nos arredores do Jardim das Tulherias. Como as calorias eram certas, resolvi ir à pé mesmo, enquanto matava a saudade da cidade. Me lancei pelas ruas em direção a Les Halles.

Passei em frente ao Beaubourg (Centro Georges Pompidou), scaneei as vitrines das lojas de fast fashion que se sedimentaram na Rue de Rivoli, acompanhei a horda de turistas que chegava ao Louvre e finalmente encontrei a mais nova loja do jovem chef pâtissier Sébastien Gaudard, bem guardada pelos arcos da Place des Pyramides.

A indicação era o mil-folhas (realmente ultraleve, superfolhado e com um delicado creme pâtissier), mas foi mesmo a torta de limão que me pegou de jeito.

Mil-folhas superfolhado  e a inesquecível torta de limão de Foto: Ju Bianchi
Super mil-folhas e a inesquecível torta de limão de Sébastien Gaudard

Sentei na mureta que separa o Louvre das Tulherias para apreciar com calma o equilíbrio perfeito entre acidez e doçura. E me esforçava para fechar os olhos diante da beleza da paisagem de Paris no outono para conseguir reter para sempre na memória aquele sabor. Quem sabe um dia consigo chegar a ele.

Provar os macarrons da estação feitos pelo chef Pierre Hermé são uma obrigação para mim quando estou em Paris
Provar os macarrons da estação feitos pelo chef Pierre Hermé são uma obrigação para mim quando estou em Paris

Segui pela alameda de árvores agora amareladas do Jardim das Tulherias até chegar na saída mais próxima a rua Cambon, onde há uma boutique do mestre dos macarrons Pierre Hermé. Confesso que preferiria ter ido à loja original, no 6° arrondissement, ao lado da igreja de Saint-Sulpice, mas quando se tem pouco tempo é preciso otimizar com o que está no caminho. Me joguei em alguns sabores (o de avelãs e trufas brancas era sensacional!) e segui caminhando pela margem do Sena até a Torre Eiffel. Porque, podem falar o que for, é linda. E me traz ótimas recordações.

Minifazenda e surpresas para adultos e crianças no Jardim d'Acclimatation
Minifazenda e surpresas para adultos e crianças no Jardim d’Acclimatation

De lá decidi dar um tempo das comidas (ainda bem que não tenho problemas com o excesso de glicose) e conhecer o Jardim d’Acclimatation, que fica dentro do Bois de Boulogne, o maior parque de Paris. Para quem viaja com crianças é passeio obrigatório. Antigo zoológico da cidade, lá você  encontra minifazendinha – com direito a vacas normandas, jumento, ovelhas, javali e até camelo (dá até pra dar uma voltinha na corcova. rs). Além de escola de equitação, pedalinho, tirolesa, parque de diversões, brinquedos de madeira, viveiros de pássaros e plantas exóticas, horta. Sério, imperdível.

Desde o fim de 2014 o jardim também abriga a Fundação Louis Vuitton, um museu de arte contemporânea instalado num prédio impressionante projetado por Frank Ghery. Mas isso é assunto para outro post.

Só pra ter um gostinho da Fundação Louis Vuitton, em Paris. Mas conto mais sobre ela em outro post, ok?
Só pra ter um gostinho da Fundação Louis Vuitton, em Paris. Mas conto mais sobre ela em outro post, ok. Foto: Ju Bianchi

Para encerrar o dia fui para o Marais, onde a opção de bares e restaurantes é abundante. A ideia era pegar um falafel no l’As du Falafel e sair andando pela ruas do bairro, mas sabe como é, sempre tem algo que a gente não conhece e chama mais a atenção no caminho. A primeira parada foi na loja L’Eclair de Génie (ok, confesso, sou um formiga em forma de gente), que depois descobri ser hoje um dos melhores lugares para comer bombas (éclairs) na cidade. Não à toa.

L'Éclair de Génie: a melhor descoberta dessa viagem
L’Éclair de Génie: a melhor descoberta dessa viagem

Tem tanta variedade e tudo tão lindo que é realmente difícil escolher. Peguei duas: chocolate com caramelo salgado (deliciosa e na medida certa de açúcar) e uma de tiragem limitada (eles trabalham muito com essa coisa de edições especiais) de framboesa e bolo de cereja. Sério, difícil descrever a explosão de texturas e sabores que combinava o suco ácido da fruta fresquinha, com a geleia cremosa da base e os pedacinhos de bolo macio por cima. Podia comer umas 20 dessa, mas a essa altura eu realmente precisava de um salgado.

Crepe para se deliciar e sair andando pelo Marais, na La Droguerie
Crepe para se deliciar e sair andando pelo Marais, na La Droguerie

Pulei o sanduíche árabe e optei por uma galette (crepe feito com farinha de trigo sarraceno) de presunto, queijo ementhal, cogumelos Paris frescos e azeitonas verdes no La Droguerie du Marais (56, Rue des Rosiers), uma janelinha simpática onde você vê o seu crepe ser feito na hora, com uma renda de queijo perfeita na borda.

Até dá para sentar em um dos três banquinhos que tem dentro da loja e comer com calma enquanto vê o dono se virar nos trinta entre pegar os pedidos, controlar a massa e dar o troco.

Mas legal mesmo é sair comendo pela rua até encontrar a próxima parada. Que pode ser o ateliê de um designer descolado, uma das dezenas de galerias de arte da região ou simplesmente a simetria da Place des Vosges para terminar o dia absorvendo o estilo de vida francês calmamente.

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4 Respostas

  1. Não entendi? do jardins de Tulherias seguiu margeando o rio Senna até a torre Eifel e dai foi ao zoológico. Mas o zoo fica do lado oposto? Acho que ele errou o caminho. Quanto aos macarrons, acho que o melhor fica próximo a igreja de Sacre-Care. Quando passar informações, dê informações corretas.

    • Olá Denilson.
      Até poderia ter ido à pé da Torre ao Jardim d’Acclimatation, mas acho que não daria tempo para fazer todo restante da programação. Esqueci de colocar esse detalhe, mas é preciso pegar o metro (Bir-Hakeim, linha 6, ao lado da torre, faz baldeação em Etoile para pegar a linha A e desce em Les Sablons, a alguns metros do parque). Assim se chega em poucos minutos.
      Quanto aos macarrons do Pierre Hermes, não conheço a loja no Sacre-Coeur. Mas garanto que a da rua Bonaparte, próxima a igreja de Saint-Sulpice, é ótima.

  2. Para eu, mero mortal de classe popular, ir a Paris nos atuais preços de passagens seria até possivel parcelando em varias vezes. Mas só esse dia de doces, com 1 euro a praticamente 5 reais, deve ter custado uma pequena fortuna. Arriscaria que em 3 dias, gatsaria o preço da passagem de ida e volta do Brasil.

    • Oi, Rafael.
      Garanto que você não gastaria tanto quanto as passagens em alimentação.
      Os doces custaram, no máximo, 5,50 euros cada.
      Se depender disso, pode ir sem medo.
      Abraços

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