Fundação Louis Vuitton, em Paris

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Sabe o nível de estranhamento gerado pelo hotel Unique (aquele barco surrealista do Ruy Ohtake) quando foi inaugurado perto do parque Ibirapuera, em São Paulo? Pois multiplique a polêmica por mil e teremos o alvoroço que a construção da Fundação Louis Vuitton em meio ao Bois de Boulogne, maior área verde de Paris, gerou.

Fundação Louis Vuitton, dentro do Jardim  d'Acclimatation, em Paris
Fundação Louis Vuitton, dentro do Jardim d’Acclimatation, em Paris. Foto: Ju Bianchi

Como se já não bastasse, a marca contratou o revolucionário arquiteto Frank Gehry – responsável, entre outros, pelo museu Guggenheim de Bilbao (Espanha), e do Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles (EUA) – para projetar o prédio.

O barco futurista projetado por Frank Gehry
O barco futurista projetado por Frank Gehry. Foto: Ju Bianchi

Exato um ano após a inauguração lá fui eu conhecer o local. O resultado é uma espécie de barco de sete velas de vidro e metal – analogia reforçada pelo espelho d’água instalado em uma das laterais –, atracado na arborizada área do Jardim d’Acclimatation (um espaço imperdível para quem vai a Paris com crianças). Causa estranhamento, não há dúvida, mas não consigo dizer que seja feio ou uma aberração, como cravam os críticos mais ferrenhos.

O espelho d'água reforça a alusão a um barco. Foto: Ju Bianchi
O espelho d’água reforça a alusão a um barco. Foto: Ju Bianchi

As formas são instigantes, o trabalho de marca é impecável e a vista da cidade emoldurada pela arquitetura futurista de Gehry é única. Mais do que as obras de arte contemporâneas que ocupam as dezenas de salas do prédio de 3.500 m² (grande parte vinda da coleção privada de Bernard Arnault, presidente do conglomerado de luxo LVMH), foi o perfeito casamento da arquitetura com algumas obras encomendadas a artistas de renome que mais chamou a atenção.

Vista de paris do terraço da Fundação. Foto: Ju Bianchi
Vista de Paris do terraço da Fundação. Foto: Ju Bianchi

Caso da fileira de colunas triangulares de espelho, LED e vidro, de Olafur Eliasson (a obra chama “Dentro do Horizonte”), que junto às colunas diagonais do prédio faz alusão às iniciais da Fundação. Uma mensagem clara para quem temo olhar atento, mas que também não deve passar despercebida pelo subconsciente dos distraídos.Há ainda obras de Thomas Schütte, Gerhard Richter, Basquiat e Andy Warhol, entre outros.

Obra de Olafum Eliasson conversa com a arquitetura do prédio, em um incrível trabalho de marca. Foto: Ju Bianchi
Obra de Olafur Eliasson conversa com a arquitetura do prédio, em um incrível trabalho de marca. Foto: Ju Bianchi

O ingresso custa 14 euros e a entrada pelo Jardim pode ser feita por quem já tem o ingresso em mãos (dá para comprar pela internet). Caso contrário é preciso dar a volta pela avenida du Mahatma Gandhi depois de descer no metrô Les Sablons.

Vista interna do prédio. Foto: Ju Bianchi
Vista interna do prédio. Foto: Ju Bianchi

Não deixe de explorar cada metro quadrado da área externa, que reserva vistas incríveis. Mas resista à tentação de comer no restaurante Frank, localizado no térreo, onde os preços seguem o padrão da grife Louis Vuitton, mas sem retorno no prato.

Não deixe de explorar todos os cantos da área externa no térreo e topo do edifício. Foto: Ju Bianchi
Não deixe de explorar todos os cantos da área externa no térreo e no topo do edifício. Foto: Ju Bianchi

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